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    04 April

    o viaduto

    mulher!

    Mulher

    sou a semente que fecunda a terra
    sou a água cristalina da mina
    desço, rego
    dou vida a quem precisa
    a luz de meus olhos ilumina meu caminho
    construo ninho e dou carinho

    sou sensível e frágil
    mas ao mesmo tempo sou forte
    pois luto e jamais me entrego

    sei que ha muitas estradas
    mas com cuidado encontro as entradas

    estou sempre no jardim
    enfeitando
    pois sou flor
    e sem minha existência não haveria beija-flor

    sou uma dádiva divina
    pois em meu ventre gero vidas

    sou como a aurora
    que anuncia a chegada do dia
    sou as palavras que inspira a poesia
    sou a nota musical que compõe a melodia

    sou a vida que origina outra vida
    sou amor,paz e harmonia
    sou esperança
    sou mulher!

    Irineu amorim

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    o viaduto
     
     
    o viaduto

    sou forte!
    minha estrutura e de aço e concreto
    fui projetado pelo homem para lhe servir
    sou solido !
    e minha temperatuara varia com o tempo
    ligo um extremo a outro
    facilito o fluxo
    sinto os pneus deslizando em minha superficie
    ouço os passos das pessoas que passam a procura de espaços
    seguem pisando em laços
    durante o dia o barulho e constante
    vejo-me perdido nessa correria e perco a sensibilidade
    às vezes nao compreendo quanta correria e quanta diferença
    porque uns passaram de carro ?
    outros passaram a pé, porem calçados.
    outros passaram descalços
    e outros puxando carroça
    assim que o sol se esconde cai a noite
    fico mais tranquilo pois nao ha tanto peso a suportar
    altas horas da noite sinto o silencio
    meu coraçao pulsa e o ouvido escuta
    debaixo vem um som diferente
    é um choro
    ouço vozes e olho
    é gente que passa fome e nao tem nome
    agora entendo porque passaram grã-finos de carros deslizando no asfalto
    pois sob seus pés ha muitos que nao tem chance
    sao milhares de pequenos viadutos
    chamados seres humanos
    que absorvem impactos de seres humanos.

    Irineu Amorim
    escrevi este poema em agosto de 1999


     
     
    03 April

    sem data

    sem data!

    ha quanto tempo me espera
    habitando nessa esfera
    estou no ultimo dia que anoitece
    ou no primeiro dia que amanhece
    talvez na distancia existente entre
    sou os dias somados
    sou os dias impressos em teu calendario
    sou a semana,sou o mes, sou o ano
    em um movimento progressivo
    aproximas à contagem regressiva
    deixando para tras os dias classificados como velhos
    afinal onde começo?
    talvez ser no meio ou no fim
    como me classificas de novo se sou a sequencia de teu calendario?
    sou os dias que se dividem
    sou a chama radiante que esta sempre adiante
    expressas felicidade mas nao percebes que estou aprisionado em tua cidade
    gritando por liberdade.
    às vezes reclama mas nao ama
    então? pra que tantos fogos e tanta festa?
    se em voce sou uma luz sem fresta
    como ser novo de novo sem aflorar?
    como cuidar sem regar?
    como tocar sem aproximar?
    saibas que estou imersso em voce
    adormecido ou esquecido
    às vezes bato à tua porta mas nao se importa
    nao tenho data hora ou calendario
    sou sempre novo!

    Irineu Amorim
    todos os poemas registrados direitos autorais na biblioteca nacional do
    livro

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